08/10/2013
PARA DIGERIR NA MASCULINIDADE
O pior machismo é aquele que está intrinsecamente emaranhado numa branca, felpuda e macia pele de cordeiro.
É aquele que, disfarçado de elucubrações coerentes, dispara discursos apropriados de um libertário espírito danoso, onde a igualdade de gêneros é usada, sempre, em favor do macho. Fragilizado quando lhe convém, oprimido quando lhe é favorável. Vitimado pela "modernidade", chega a se considerar um "prafrentex", não passa de um "pseudo-cabeça".
Uma mulher livre e autônoma, incomoda esse machismo! Que se retorce em argumentos condicentes, que apela para o bom senso, que esvazia o discurso, que se perde e grita sem palavras pronunciar a não ser asneiras.
Uma mulher liberta da culpa patriarcal, que condena a mãe carreirista e conservadora da sua individualidade, incomoda esse machismo que retrocede seus ideais de entendimento e compreensão do universo feminino, se entrega.
Uma mulher que se reconhece "ser", antes de ser mãe reconhecida, incomoda esse machismo!
Uma mulher que assume seus desejos de maneira inescrupulosamente aberta, que desenvolve relações de maneira orgânica, sem o jogo "cultural respeitoso", incomoda esse machismo!
Esse machismo se reveste de uma vontade quase doentia de não existir, de não aparecer, de ser invertido aos olhos sociais. Rondando os criadores, artistas, pensadores, subversivos, ativistas, libertários, filósofos... Onde se prega a liberdade de pensamento e ação, a tolerância entre as diferenças, a possibilidade de convívio entre desigualdades que nos tornam únicos. É a questão de gênero, a oposição macho - fêmea que ainda representa o maior desafio sociocultural. É esse o paradigma master!
A mulher, continua sendo a cachorra, irresponsável. A serpente usurpadora!
A mulher, continua sendo fácil, indigna de confiança.
E os "cabeças"! Não evoluíram nada, viu?!
Quanto a mim, continuarei incomodando a todos!
Continuarei fazendo da minha simples existência a maior de todas as resistências!
Beijo, não me liga!
Vi Brasil
19/09/2013
O Renascimento do Parto
Vai fazer umas três horas que eu vi e ainda estou extasiada... sem medo de errar um MUST SEE! De uma beleza e uma delicadeza embalando os momentos de dor e aqueles da mais genuína alegria e emoção.
Não importa se você é homem ou mulher, se você já teve, se você quer ter, se você não quer ter filhos, se você é médico, da área de saúde, de área nenhuma, de qualquer outra área, se você é da "cidade" ou "do interior", se você é pobre ou rico.
Porque é muito mais do que um filme sobre parto: é um filme sobre medicina e ciência, mitos e dogmas, saúde pública, corporativismo e capitalismo... é pra gente repensar as "verdades atuais", nossa cultura, a relação entre tecnologia e saúde, o que a gente considera modernidade e avanço científico.
Sobre o empoderamento da mulher, conexão, ligação e religação com nossa natureza, acolhimento, beleza.
É um filme sobre o nascimento de todos nós, é um filme sobre o amor, é um filme sobre a vida!
Versão "extendida" do trailer: http://www.youtube.com/watch?v=3B33_hNha_8
Por Erika Pessoa
Meninos também brinca de boneca.
O machismo é tão gritante e abusivo que, quando
uma mulher cuida de uma criança do companheiro que não
seja proveniente dela, independente do gênero, é normal,
não há nenhum alvoroço em relação a isso.
Quando um homem, se dispõe a cuidar de uma criança da
companheira que não é dele, é tido como desajeitado e
sem responsabilidades pra cuidar de uma criança.
Vamos gente, cada dia mais reforçar a divisão por
gênero,fazendo disso um mundo pior.
Por Késia Salgado
uma mulher cuida de uma criança do companheiro que não
seja proveniente dela, independente do gênero, é normal,
não há nenhum alvoroço em relação a isso.
Quando um homem, se dispõe a cuidar de uma criança da
companheira que não é dele, é tido como desajeitado e
sem responsabilidades pra cuidar de uma criança.
Vamos gente, cada dia mais reforçar a divisão por
gênero,fazendo disso um mundo pior.
Por Késia Salgado
Virgindade
Eu gosto de usar como termômetro - para perceber se um tema ainda é muito polêmico junto à sociedade - a quantidade de xingamentos que um debatedor de contra-cultura recebe após um debate sobre este tema polêmico (virgindade), ou mesmo que o autor de um texto recebe após uma matéria polêmica.
Pelo nível dos comentários na página oficial do veículo do debate ontem, em foto feita no momento do debate, eu percebi que estamos muito bem, obrigada, com relação à superação do ~suposto~ retorno da polêmica sobre virgindade. O xingamento mais agressivo que eu recebi (e acho que o único, no restante dos comentários as pessoas se preocuparam mais em colocar os seus pontos de vista) foi o de 'ridícula'.
Fiquei feliz com o ridícula, porque ele significa que passamos essa página, virgindade não é mais tabu, mesmo que alguns grupos queiram reativá-la como regra de conduta para as mulheres, esses grupos são minoria absoluta.
E VIVA A LIBERDADE SEXUAL!!!! \o/
Por Paty Sampaio
06/08/2013
Força na peruca e otras cositas mas...
Há exatos 5 meses iniciei o processo de permitir meu cabelo crescer sendo quem realmente ele é: Cheio de seus cachos, voltas e volume.
Comecei vendo vários blogs, revistas e vídeos de incentivo para me motivar e me motivei. Na prática nada é tão fácil como possa parecer, mas compensador. É aposentar secador, chapinha, trocar a sessão de quimicamente tratados por cacheados, é pesquisar produtos que tirem o máximo do efeito das progressivas que você já fez, é querer cortar bem curto, é esquecer as visitas periódicas ao salão "pra retocar a raiz" e quando chegar a ir lá, falar prx cabeleireirx que seu cabelo tá crescendo natural então que elx nem venha te amolar com papinho de alisamento ou relaxamento.
O que eu não esperava é que essa transição começaria a acontecer de dentro pra fora, num processo de me reconhecer uma mulher negra, com raízes negras que renegava isso involuntariamente ou não, utilizando processos estéticos fundamentados numa lógica racista de que meu cabelo precisava ser alisado e sem volume pra ser bonito. NÃO! Meu cabelo é lindo e eu não lembrava, já que comecei a alisa-lo aos 9 anos de idade.
Ainda tenho várias fotos por aqui, de um tempo não muito distante com ele liso, chapado e lambido. Confesso que ás vezes olho e não me vejo. Deixar de alisar, pra mim foi e é acima de tudo reconhecer, assumir e respeitar quem eu sou. Não sei ainda como meu cabelo vai ficar, mas tenho certeza de que estou muito feliz com isso.
Agradeço ás pessoas que estão me ajudando nessa estrada com cada palavra, dica e elogio.
Desejo força não só na peruca, pra todas que encontrei no caminho e que também estão nessa mudança. Mudança com cheiro de resistência e mulher linda meu bem, é a que luta.
Rebeca Santana é feminista, mãe e uma fofa (entre milhares de outras coisas) e está junto conosco nos nossos devaneios diários.
Parabéns Beca!
04/06/2013
Eu também sinto calor
Veja bem, meu bem: alguma hora, você vai fazer uma opção e eu espero que ela seja a melhor pra você e para os seus.
Somos várias de peito de fora do lado das que estão em silêncio, do lado das que estão gritando, do lado das que não tiram a blusa, do lado das mães, das lésbicas, das carecas, das negras, das desempregadas que levam a vida devagar pra não faltar amor, das já libertas, das ainda presas.
Eu sonho com um mundo onde os questionamentos não sejam mais: "mas, o que ele vai pensar?" Porque eu quero estar apaixonada por homens inteligentes, que não comparem um peito de fora a um corpo avulso. Amor é uma coisa deliciosa de sentir e se não é todo, não é necessário. Sabe aquilo de quem ama, ama todas as partes? Eu sonho ela "tenha peito", como eu.
Eu sonho com um mundo onde meu emprego seja mantido pelo meu trabalho, pela minha capacidade no desenvolvimento dele. E sonho, ah, eu sonho, que as pessoas sonhem. Se a gente pudesse balancear, para cada mulher de peito de fora, menos uma violência sexual, eu ia sair pelo meio da rua, pedindo por tudo o que há de mais sagrado, pra mais mulheres tirarem a roupa. Sonhando.
Quem tirou a foto foi a minha mãe. Conversando com ela, me vem: deixa eu fotografar? E eu sentei, com vergonha, claro. É minha intimidade. É muita coisa em jogo. É o resto da minha vida. MAS É MINHA LUTA. É MINHA DEFESA. E foi minha mãe, a mulher mais de luta que eu já conheci, quem fotografou. Hoje, quem mais me viu exposta, foi ela.
Te cuida seu machista. A América Latina vai ser toda feminista.
Copiei esse texto e foto da Bárbara Vasconcelos porque achei emocionante, corajoso e cheio de esperança.
Definitivamente combina com os nosso Devaneios =D
Tem pessoas que escolhem viver em um mundo, onde peitos de fora, são considerados falta de civilidade, mesmo que o protesto seja em nome da defesa do nosso corpo, muitas vezes violentado, molestado, agredido. É um peito. É O MEU peito.
Tirar a roupa é um detalhe. É dizer que mesmo oprimida, tu tem a coragem, não só de mostrar os seios, mas de argumentar, de dizer que tua ideia não é chamar a atenção, virar sensação, se expôr a toa. Dizer que engolir choro não é mais fácil que tirar a blusa, mas que é o mais corriqueiro, porque a sociedade em que vivemos prefere o silêncio. Eu tenho mais medo de silêncio, que de crítica E TAMBÉM SINTO CALOR.Somos várias de peito de fora do lado das que estão em silêncio, do lado das que estão gritando, do lado das que não tiram a blusa, do lado das mães, das lésbicas, das carecas, das negras, das desempregadas que levam a vida devagar pra não faltar amor, das já libertas, das ainda presas.
Eu sonho com um mundo onde os questionamentos não sejam mais: "mas, o que ele vai pensar?" Porque eu quero estar apaixonada por homens inteligentes, que não comparem um peito de fora a um corpo avulso. Amor é uma coisa deliciosa de sentir e se não é todo, não é necessário. Sabe aquilo de quem ama, ama todas as partes? Eu sonho ela "tenha peito", como eu.
Eu sonho com um mundo onde meu emprego seja mantido pelo meu trabalho, pela minha capacidade no desenvolvimento dele. E sonho, ah, eu sonho, que as pessoas sonhem. Se a gente pudesse balancear, para cada mulher de peito de fora, menos uma violência sexual, eu ia sair pelo meio da rua, pedindo por tudo o que há de mais sagrado, pra mais mulheres tirarem a roupa. Sonhando.
Quem tirou a foto foi a minha mãe. Conversando com ela, me vem: deixa eu fotografar? E eu sentei, com vergonha, claro. É minha intimidade. É muita coisa em jogo. É o resto da minha vida. MAS É MINHA LUTA. É MINHA DEFESA. E foi minha mãe, a mulher mais de luta que eu já conheci, quem fotografou. Hoje, quem mais me viu exposta, foi ela.
Te cuida seu machista. A América Latina vai ser toda feminista.
Copiei esse texto e foto da Bárbara Vasconcelos porque achei emocionante, corajoso e cheio de esperança.
Definitivamente combina com os nosso Devaneios =D
03/06/2013
Perfil padrão x Perfil subversivo
Perfil subversivo: Eu sou Patrícia, tenho 39 anos, sou militante feminista VADIA, daquelas ferrenhas. Apoio o poliamor, mesmo sendo monogâmica. Apoio o movimento negro, mesmo sendo branquela. Adoro ficar pelada e não enxergo a nudez como crime, mas como natural. Apoio o movimento LGBT, mesmo sendo hétero. Simpatizo demais com o candomblé, com o espiritismo e com o ateísmo, e não tenho nada contra religiões que pregam o AMOR como bem comum, desde que esse amor não exclua nenhum grupo. Portanto, sou contra religiões que oprimem outras opções de credo e que oprimem um gênero ou orientação sexual. Apoio o parto humanizado, meus dois filhos nasceram de parto normal e minha caçula nasceu em um LINDO parto domiciliar. Casei de novo. De novo. De novo. Detesto o corporativismo médico, apesar de ser da área de saúde, porque acho que ele tem prejudicado a saúde das pessoas de uma forma geral, porque eu acho que saúde não pode ter exclusivamente fins lucrativos. Sou anti-capitalista. Não uso absorvente menstrual (pergunte-me como). Não tenho TV em casa por opção. Apesar de ter um apartamento próprio (que é uma zona), apoio o grupo Direitos Urbanos e sou contra o Projeto Novo Recife, porque gostaria que meus filhos vivessem numa cidade mais humana. Quero muito morar em uma casinha na zona norte da cidade, com uma pracinha perto, para que meus filhos tenham mais espaço e uma infância mais ~infantil~, e ainda realizo esse projeto. Sou cicloativista e tenho Olga, minha bike que me dá muito mais prazer de ir pra a rua - coisa que eu adoro - do que meu carango. Adoro sexo, gozo fácil, dou na primeira vez (quando eu quero) e falo abertamente sobre o assunto, apesar de ser mulher. Falo palavrão pra caralho, apesar de ser mulher. O marido divide as tarefas domésticas e com meus filhos, apesar de ser homem. É um companheiraço. Danço até o chão, apesar de ser uma 'mãe de família', bebo cerveja pra cacete, como miúdo de galinha no Empório depois da farra e já cansei de subir em mesa de bar. Sou amostrada que só. E briguenta.
Gente. Chega disso tudo. É tão simples, porra. Por que algumas pessoas que me amam querem que eu priorize um perfil e esqueça o outro, se ambos significam EU? E olha o tamanho do meu EU subversivo, ele tem uma importância ENORME na minha vida. Não priorizá-lo junto com o outro seria matar metade de mim (ou mais da metade), de minha motivação para estar viva e saber que faço parte de uma rede que quer mudar o mundo. E olhe que tem muita coisa pra mudar nesse mundo. Não queiram roubar isso de mim, porque vocês não vão conseguir, além de não terem esse direito.
Postado pela Paty no Facebook e autorizado por ela a ser postado aqui <3
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